A metodologia da Biodanza está centrada na vivência, compreendida como o contato profundo consigo mesmo, a conexão com
a própria identidade, a leitura de sentimentos e emoções,
bem como as necessidades do ser (Toro, 2002:30). Vivência é a experiência
íntima com a vida e a possibilidade de compreensão do outro a partir do
conhecimento de si mesmo. Rolando Toro inspirou-se em Wilhem Dilthey, que
foi o primeiro autor a propor este conceito (Toro:2002:29). Ao longo da
elaboração do modelo teórico da Biodanza, Toro definiu algumas
características essenciais da vivência, das quais salientamos a “experiência
original de nós mesmos, da nossa identidade, anterior a qualquer elaboração
simbólica ou racional” (Toro:2002:30).
Na
construção do modelo teórico-operacional da Biodanza, Toro identificou um
eixo com dois pólos que constituem um contínuo pulsante– a consciência
intensificada de si e do mundo e a regressão. Estes dois pólos são
complementares e são ativados através da música, do movimento e de
exercícios de dança, que permitem o desenvolvimento da expressão integrada
da identidade. Estes três mecanismos de ação permitem ativar cada um destes
pólos e proporcionar a pulsação entre eles.
Consciência
Intensificada de Si
Regressão
Toro identificou
cinco canais de expressão dos potenciais genéticos humanos aos quais
chamou, linhas de vivência. As linhas de vivência têm a função de
desenvolver e integrar o potencial genético com vista a uma expressão
integrada da identidade. Assim, as
vivências estão organizadas em cinco grandes conjuntos expressivos do
potencial humano: a vitalidade, a sexualidade, a criatividade, a afetividade e a transcendência.
A
vitalidade corresponde ao
ímpeto vital, à energia vital disponível para a ação, que permite que a
pessoa esteja no mundo com coragem, alegria e entusiasmo. Corresponde também
à capacidade de autorregulação na pulsação entre ação e repouso. O instinto
associado à vitalidade é o de conservação (Toro:2002:85).
A
sexualidade contribui para a
conexão com os prazeres quotidianos, prazer de mover-se, de sentir. O
instinto associado à sexualidade é o instinto sexual, cuja função é a
reprodução (Idem:86).
A
criatividade está ligada à
expressão, à curiosidade, às
mudanças de posição face ao ambiente. Estimula a linguagem artística em
todas as suas dimensões, “a criação é (…) uma extensão do processo de vida.”
(Toro, 2002: 88,89). O instinto associado é o exploratório, o impulso de
renovação presente em todos os seres vivos: “Nós somos ao mesmo tempo a
mensagem, a criatura e o criador.” (Toro, 2002:88).
A
afetividade desenvolve-se a partir da protivivência da nutrição, da
necessidade do “calor amoroso”, da comunicação com as pessoas. Refere-se à
experiência de amor e vínculo com o seu semelhante, desenvolvendo-se a
amizade, o amor e a solidariedade. Nas palavras de Toro “o ato de ligar-se,
não é outro senão o passo titubeante no longo caminho do amor” (Idem:89). O
instinto associado é o gregário, que compreende a capacidade de vínculo à
espécie (Ibidem).
A
transcendência está ligada à protovivência de plenitude e de harmonia
com o meio ambiente. Desperta a relação das pessoas com a natureza e a
consciência cósmica. A capacidade de superar-se a si mesmo. O instinto
associado é o de fusão, de “ressonância biológica” (Toro, 2002:91). A
Biodanza estimula e promove o desenvolvimento do potencial genético e da
expressão da identidade, através da música, do movimento e de
exercícios-facilitadores dessa expressão em cada uma das linhas de vivência
atrás referidas (Toro:2002:93).
É um
processo de integração da identidade humana e que busca a expressão, o
vínculo, a nutrição afetiva e a criatividade; o contato consigo mesmo, com
os outros... a comunicação afetiva com tudo o que nos rodeia.
In Pinto,
Fernanda (2016)
Dançar a
vida na Escola, pag 73 a 76
Todas as sextas-feiras nos encontramos para
dançar a Vida... Terminar a semana assim abre as portas para a alegria logo
no início do fim de semana e prolonga-se por vários dias.
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